Gestão de frotas: por que os valores são altos?
Não se trata apenas de combustível. A operação envolve manutenção preventiva e corretiva, peças, pneus, lubrificantes, serviços mecânicos e uma série de outras demandas necessárias para manter veículos e máquinas disponíveis.
Quando uma licitação para gestão de frotas envolve milhões
de reais, o número chama atenção da mídia. Se o município é pequeno, a
comparação parece ainda mais impactante. Mas analisar esse valor isoladamente,
ou dividi-lo pelo número de habitantes, pode produzir uma percepção
completamente diferente da realidade da operação.
Imagine um município fictício com 30 mil habitantes. A
população é pequena, mas a prefeitura pode precisar manter ambulâncias, ônibus
escolares, caminhões, máquinas pesadas, veículos administrativos e outros
equipamentos atendendo diariamente saúde, educação, obras, assistência social e
demais serviços públicos. E frota custa.
Não se trata apenas de combustível. A operação envolve
manutenção preventiva e corretiva, peças, pneus, lubrificantes, serviços
mecânicos e uma série de outras demandas necessárias para manter veículos e
máquinas disponíveis. O próprio material técnico utilizado como referência
aponta que o custo deve ser analisado considerando fatores como quantidade e
perfil dos veículos, quilometragem percorrida, características das operações
das secretarias e preços de combustíveis e insumos de manutenção.
Uma cidade pequena, por exemplo, pode ter extensa área
rural, ônibus escolares percorrendo longas distâncias diariamente e máquinas
pesadas trabalhando na manutenção de estradas. Portanto, população pequena não
significa, necessariamente, frota pequena ou operação barata.
Há ainda um segundo ponto fundamental, valor licitado não é
sinônimo de valor gasto. No Sistema de Registro de Preços, o montante
registrado representa uma estimativa máxima de demanda. A Administração não é
obrigada a consumir todo o quantitativo nem a utilizar integralmente o valor
previsto. A execução ocorre conforme as necessidades efetivamente apresentadas
ao longo da vigência.
Assim, se nossa cidade fictícia possui uma ata de até R$ 10
milhões, isso não significa que os R$ 10 milhões serão desembolsados. O gasto
efetivo poderá ser menor e dependerá dos abastecimentos, manutenções e demais
serviços realmente realizados. O documento de referência é claro ao diferenciar
o teto estimado do desembolso efetivo.
É justamente nesse cenário que soluções como o Gestão Total
de Frotas (GTF) ganham relevância, por exemplo. A tecnologia aplicada à gestão
de frotas permite ampliar o controle e a rastreabilidade das operações,
acompanhando consumo e manutenção e gerando informações para uma administração
mais eficiente. O modelo informatizado é apontado no material como instrumento
para rastreabilidade de consumo e controle das manutenções preventiva e
corretiva.
Por isso, antes de classificar uma contratação como alta
apenas pelo seu valor global, é necessário responder a perguntas mais
importantes: qual é o tamanho e o perfil da frota? Quantos quilômetros ela
percorre? Quantas máquinas pesadas estão incluídas? Quais serviços estão
contemplados? E, principalmente, quanto desse valor foi efetivamente executado?
Na gestão pública, transparência também exige contexto. Um
número sozinho pode impressionar. Entender o que ele representa é o que permite
avaliar, de fato, uma gestão de frotas.
Jânio Corrêa, CEO da Centro América Tecnologia (CAT)
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